Escritores publicam contos com dificuldades da pandemia

Quatro professores e escritores do Grande ABC decidiram colocar no papel as dificuldades que estão sofrendo com a pandemia do coronavírus. Iniciativa da docente Valéria Rocha Aveiro do Carmo, 43 anos, de Ribeirão Pires, a coletânea batizada como Surtos da Quarentena deve virar livro físico como prova material da maior crise sanitária dos últimos 100 anos. Amante da leitura, o quarteto está garantido no Desafio de Redação, concurso literário promovido pelo Diário e pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano) – leia mais abaixo.

Em abril, um mês depois que a pandemia estava instalada no Brasil, Valéria, que além de escritora é professora de língua portuguesa, resolveu escrever textos a partir das sensações que surgiam durante a quarentena. Seu marido, Valdemir Manoel do Carmo, 56, logo embarcou na ideia e bastou divulgar os planos nas redes sociais para que o projeto recebesse o reforço dos amigos mauaenses Marcos Roberto da Silva Moreira, 41, e Márcia Plana Souza Lopes, 45.

Ainda em execução, o projeto está disponível gratuitamente na internet por meio do link https://sites.google.com/view/portalmandaletra/contos-e-cr%C3%B4nicas.  “Combinamos de tratar de temas que a pandemia nos coloca no dia a dia. A princípio, com experiências pessoais. Depois abrimos para ficções também, com temáticas em cima da quarentena”, explica Valéria.

As produções começaram a acontecer e os quatro escritores faziam a leitura semanalmente entre eles para mostrar o resultado. Entre os escritos, há texto falando das lives dos artistas, de uma difícil experiência dentro de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), e até sobre uma pessoa que teve embate interno entre decidir seguir com dor de dente ou marcar uma consulta no dentista durante a quarentena.  “Transitamos pelo lado opinativo, contos. Há algo humorístico também. Mas muitos textos têm um lado crítico. Crítica é necessária neste momento”, explica a idealizadora.

Os textos são acompanhados de ilustrações feitas por artistas locais, de outros Estados e até internacionais. “A Márcia também é desenhista e deu esta sugestão. Daí fomos garimpando pessoas para participar. Uma delas é uma aluna nossa, Gabrielly Rodrigues Lairiano, 14. Fizemos interação de artistas de renome com adolescentes”, diz. Participam ainda Will Sideralman, de São Paulo, e Cecília Camargo, curadora da Pinacoteca de Mauá.

O grupo debaterá os textos publicados junto aos leitores por meio de live na próxima semana no grupo Língua e Cultura Manda@Letra, no Facebook, em dia ainda a ser decidido.

Agora que tudo está publicado na internet, a ideia dos quatro é eternizar esse material em um livro físico. Valéria espera que quem se depare com o material se faça a seguinte pergunta: “Como nós estamos passando por esta quarentena? Meu objetivo era trabalhar dores e ansiedades. Não me lembro de ter passado tanto tempo em casa assim. Achei que a gente precisava mexer com as emoções do público e até auxiliar as pessoas nesse momento”, finaliza.

Trio vai participar do Desafio de Redação

Além de incentivar os alunos da EE. Dr. Felício Laurito, em Ribeirão Pires, onde trabalha, a participarem do Desafio de Redação, promovido pelo Diário e pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano), que neste ano chega à 14ª edição, Valéria Rocha Aveiro do Carmo, idealizadora do projeto dos contos, também enviará seu texto ao concurso literário, já que há categoria só para professores.

O tema escolhido é As Lições da Pandemia para a Construção de um Futuro Melhor e vai ao encontro do projeto Surtos da Quarentena. “Ficamos contentes quando soubemos do que o Desafio trataria. Fiquei feliz por estar trabalhando com esse assunto”, explica.

Além de Valéria, dois de seus parceiros no Surtos da Quarentena, Valdemir Manoel do Carmo, que trabalha na mesma escola que ela, e Márcia Plana Souza Lopes, que leciona na EE Olavo Hansen, em Mauá, também participarão do Desafio de Redação.

A escritora diz que o concurso literário é iniciativa importante e conta que ela e os parceiros estão incentivando alunos a participarem também. “O projeto incentiva a criança a escrever e eles têm dificuldades com a escrita”, afirma.

Por causa da pandemia da Covid-19, nesta edição o concurso será virtual. O melhor texto ganhará bolsa de estudos na USCS. Quem quiser participar tem até 30 de setembro – o prazo inicial, que era 30 de julho, foi ampliado – para fazer a inscrição e enviar o texto no hot-site www.dgabc.com.br/desafioredacao.www.dgabc.com.br/desafioredacao. Basta apontar a câmera do celular para o QR Code acima para ser direcionado para a página do concurso.

Podem participar alunos de escolas públicas e particulares do Grande ABC, do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, além dos matriculados na EJA (Educação de Jovens e Adultos) e telessalas. Além da bolsa de estudo para o melhor texto do concurso, donos de outras boas redações levarão notebooks, TVs e tablets. A melhor redação dos professores também leva como premiação um notebook. E a melhor torcida fatura prêmio no valor de R$ 3.000.

O vencedor será anunciado 16 de novembro. O concurso é realização do Diário e da USCS, e tem patrocínio do Cemitério Vale dos Pinheirais.